Como um conjunto de elementos heterogêneos pode ser organizado em um sistema sem que exista, originalmente, uma relação necessária entre eles? O que transforma uma relação arbitrária em uma estrutura?
DESTRUTURA investiga como estruturas podem emergir de relações que, em sua origem, são arbitrárias. É um projeto desenvolvido em 2004. A série surgiu de uma investigação sobre a produção de estruturas a partir da observação e da abstração de elementos encontrados no mundo.
Em um dos procedimentos utilizados, o diagrama de Voronoi funcionava como uma espécie de modelo operacional. O diagrama parte de pontos distribuídos em um plano e estabelece, a partir das relações entre esses pontos, uma subdivisão do espaço. Em vez de iniciar com pontos arbitrários em um plano cartesiano, eu os procurava no mundo ao redor. Objetos, datas, placas de automóveis, hora, temperatura, estruturas, paisagens e acontecimentos visuais podiam ser reduzidos a posições, convertidos em pontos e posteriormente reorganizados em uma nova configuração.
O procedimento produzia uma passagem entre observação, abstração e reconstrução. A realidade era desmontada em unidades e, a partir dessas unidades, uma nova estrutura emergia. A imagem final não pretendia representar diretamente aquilo que havia sido observado, mas produzir uma transformação das relações espaciais encontradas.
Nesse sentido, DESTRUTURA investiga esse estranho intervalo entre ordem e desordem, entre a estrutura existente e a estrutura que emerge de sua desmontagem. A desestrutura não corresponde à ausência de organização, mas à coexistência instável de diferentes sistemas de organização.
MÉTODO
O método de produção dos diagramas partia da coleta de dados no mundo cotidiano, convertendo quaisquer relações contingentes em coordenadas cartesianas. Em vez de estabelecer previamente um conjunto abstrato de pontos, eram selecionados pares de valores encontrados na experiência: como hora e temperatura, dia e quantidade de dinheiro disponível ou o primeiro e o último número de diferentes telefones, atribuindo-se arbitrariamente um valor ao eixo x e outro ao eixo y, de modo a formar coordenadas (x,y). A partir dessa coleta, elementos que originalmente não possuíam uma relação necessária entre si eram introduzidos em um mesmo sistema matemático; os pontos resultantes passavam então a constituir a base para a construção dos diagramas e das estruturas visuais.
DESTRUTURA parte da possibilidade de um mundo em colapso, de uma realidade em queda livre, na qual estruturas se desfazem e se reorganizam continuamente. A série explora a sobreposição de imagens, padrões e sentimentos, buscando produzir formas a partir da tensão entre realidade e inconsciência. Padrões encontrados em arquiteturas, culturas, paisagens agrícolas, tecidos orgânicos, redes urbanas, cristalizações moleculares, aglomerados de galáxias e redes neurais são aproximados por suas configurações estruturais, independentemente de suas origens e funções. Descontextualizados, esses padrões revelam possibilidades abstratas de organização, que podem ser relacionadas a conceitos matemáticos e computacionais como simetria e diagramas de Voronoi. A série investiga, assim, a estranha harmonia produzida por estruturas instáveis, nas quais diferentes escalas e formas de organização parecem coexistir. Entre a ordem e a desordem, entre o orgânico e o geométrico, entre o acaso e a organização, DESTRUTURA propõe uma reflexão visual sobre a infinita possibilidade de formação de padrões e sobre os limites cada vez mais instáveis das estruturas que organizam o mundo.
Clique na área abaixo para produzir pontos. Cada ponto é uma ocorrência, uma posição, uma escolha. Você pode criar quantos quiser. Quando terminar, clique em CRIAR REDE. A partir das relações entre os pontos, uma estrutura será produzida. As áreas resultantes serão organizadas por proximidade e preenchidas por diferentes texturas construídas com caracteres ASCII.