AGNES (2015)


Ontem mesmo Agnes admitiu fazer parte de um escandaloso complô de escala global. Agnes, hoje não, agora, Agnes carregava um documento oficial afirmando que o Governo Secreto da Lua não controla mais sua mente. Ela havia sido vigiada durante muitos anos, mas isso acabou; agora ela mantém um policiamento rígido de si mesma. “Agnes, que você permaneça intacta e indefinidamente corajosa em sua vigilância”. Ou seja, Agnes mantém sua consciência em eterna ativação, patrulhando seus movimentos e escolhas. O que ela não sabe é que esta batalha está perdida. Não adianta mapear. O determinismo avança mais e mais, e a consciência de Agnes perde terreno para um inconsciente astuto e paulatino. De vez em quando, assim que houver expansão territorial da massa cinzenta, Agnes (propriamente dita) perderá espaço e força. Suas fronteiras irão colapsar. Entende-se que centenas de camadas com ramificações de consciência se dobram sobre si mesmas em direção a um não-núcleo insaciável. Seria tudo muito válido não fosse pela nostálgica vontade de fazer força para fora e não para dentro.