RESENHA COMISSIONADA #43  (2014)


O recente livro de Marco Alexandre Silva da Silva, Coração Gordo (Editora Sucupira, 2014), é dedicado inteiramente aos filmes pré-2000. Nele vemos o autor cult retornar aos filmes físicos, viscerais e transgressivos que o tornaram tão conhecido. Em Coração Gordo o foco se divide entre o histórico, o teórico e o filosófico. O autor começa explorando o retorno chocante ao no cinema sujo de calçada, de 1980 e o crescimento de filmes mais experimentais e expressivos dos anos 90. Da Silva define o cinema independente como radical e contemporâneo,  porém destacou a formação de subculturas audiovisuais parasitas do status quo. Focando principalmente em um punhado de obras-groundbreaking premiadas e subterrâneas, Silva da Silva examina o desejo - e a necessidade - de performances catárticas e intervenções corporais. Ele pontua sua escrita na análise rizomática e explora áreas tão distintas como a cultura do pólo industrial, o ostracismo de bairro, o realismo soviético fantástico e a dança do ventre surrealista de salão. Em suma, o livro desafia o leitor ao examinar a própria natureza do prazer, do fetiche e do cinema em geral.