KALI YUGA & O VÉU XINGU (2020)


Mesinhas quadradas conectadas uma na outra formando um retângulozão de homens brancos felpudos e milicianos. Com mortes estúpidas. Morte. Com ignorância. Rápida, fria, lenta e dolorosa. Com des-afetos. Des-Mórbidas políticas em um mundo à beira do CAOS. Não consigo entender como o mundo ainda permanece intacto. Integrado. Mundo humano. Um mundo que é humano e não é. Um mundo-conexão que não é UM mundo. Que tem o núcleo político em Estados plasmáticos. Com camadas subjacentes e substratos geológicos gerados pelo néctar racista de um território pensado e sentido como pertencente a quem o dominou. Direitos mortíferos da Terra. Planos e geodemarcações decididas em reuniões rasteiras e secretas, a portas fechadas. Uma elite dona das concessões. Dona das extensões orgânicas de um mapa em processo. Uma cartografia da morte que projeta sobre o real um vasto cemitério indígena de valas comuns. O véu xingu. Destinos brasileiros. Trilhas selvagens. Pampa negro, dunas e florestas úmidas. Joelho e Facão no pescoço. Ostracismo. Desistência Inca. Resiliência atemporal. Ritos e mantras e conexões com um todo espiritual na parte e no todo modificado. No todo modificado. No todo estruturado. Guarani-sanguíneos. Pele. Osso. Fusionados com húmus. Quase uma apoteose mística e sampleada. um remix subtropical no geoide que viaja no espaço ancorado num dos tentáculos da espiral galáctica. Como um polvo estelar. Um polvo das estrelas. Somos um dos clãs que trafega no cosmos em rumo à destruição. Somos essa tribo desesperada por significado que percorre a Via Láctea em busca da auto-extinção.