2021: cria-se religiões embebidas por rituais de abate para manter-se na convicção de uma falsa realidade. Estamos a caminho da construção destrutiva, apoiada em princípios progressistas baseados na lógica irracional. Que atitude tomar? Como operar ao redor desse universo inesgotável, passível de tantas abordagens falsas num tom de verdade ilusória?
Um iminente ataque à democracia representa não apenas a soberania governamental, mas consiste em ameaças encobertas nas telas de cristal líquido. Mantém-se sob controle nesses vastos campos de pixels, onde a resolução transformou-se em condições assassinas.
O trabalho de Fabiano Gummo absorve a recusa do futuro miserável, da distopia iminente, da permanente fantasmagoria que ilude a um mundo de acontecimentos cuidadosamente elencados, dispostos em documentos artísticos. Como resistir ao esgotamento de uma completa destruição? Gummo não resiste, não compete, não rivaliza. Encara estas realidades incertas com a única certeza que há: esta do questionar. Não procura por respostas fixas; o que lhe resta fazer é tentar definir perguntas. Ampliar a realidade ao seu redor, expondo a imensidão de certezas borbulhantes no universo imaterial eletrônico.
Manoela Furtado
Artista e Doutora em Artes Visuais