33 DIAS DO ANO DE WARBURG (2016)
Faz mais ou menos um ano que escrevi sobre a mansão. Foi o tempo que levei pra entender a coisa toda. Eu ia pro estúdio todo dia. Chegava 06 hora e ficava até umas 11e30. Antes do almoço eu visitava minha psiquiatra. Esse foi nosso acordo. Depois de me castigar durante sete dias seguidos com um zoológico de coisas erráticas acabei atropelando sete pessoas numa parada de ônibus. Depois disso, o acordo judicial acertou o psicotratamento-todo-dia. O que acabou comigo. Mas a pintura me salvou. A psiquiatra era uma retroescavadeira na minha cabeça. Estratificando minha alma. Foi na pintura decorativa artesanal que conheci esse neo-coven. Num tempo perdido e louco que precede qualquer decisão acertada, esse grupo de aspirantes queria investigar “aspectos recorrentes e profundos do post mortem". O que eu podia fazer? Tudo isso vai phaserificar minhas potencialidades cerebrais, eles diziam. Me socaram panfletos pró-irmandade. Assisti dúzias de VHS. Sentei ao lado do cadáver-grão-mestre. Conheci todos eles como “experimentadores”, ou qualquer merda parecida com isso. Repetiam sem parar que o culto refletia os contornos obscuros do sono eterno.