EIXOS DE OPERAÇÃO

A produção artística de Fabiano Gummo não se organiza a partir de uma assinatura formal única, mas de um conjunto de operações poéticas que atravessam diferentes suportes, linguagens e temporalidades. Essa multiplicidade de formas não indica dispersão, mas método: cada obra se configura a partir do problema que propõe investigar e do meio mais adequado encontrado pelo artista para tensioná-lo.

Esses trabalhos se articulam em torno de alguns eixos de operação, que funcionam como campos de força, e não como categorias fechadas. Um mesmo trabalho pode ativar mais de um eixo simultaneamente.

Texto em Estado de Obra reúne produções em que a escrita deixa de cumprir uma função comunicativa e passa a operar como matéria visual, sistema ou gesto. Fragmentos, glossários, frases e livros de artista compõem um campo em que a linguagem é instável e produtora de sentido.

Em Mineração do Presente, o artista trabalha com a coleta, apropriação e recontextualização de materiais da cultura de rede: comentários, memes, fake news, teorias conspiratórias e ruídos informacionais, tratando a infosfera como um território a ser escavado e dissecado.

Sistemas que Produzem Sentido concentra obras que operam a partir de regras, repetições, bancos de dados e procedimentos algorítmicos, evidenciando que sistemas não apenas organizam informações, mas ajudam a construir novas narrativas e outras visões de mundo.

Em Imagens em Circulação, a atenção recai sobre a vida pública das imagens: sua reprodução, desgaste, deslocamento e reaparição em diferentes contextos gráficos e espaciais.

Por fim, Obra em Tempo Real e Autor/Dissociação atravessam toda a produção, apontando para o trabalho como acontecimento, processo e para a instabilidade da autoria como elemento central da prática artística.