CARLA (2014)
Carla se formou no Atlântico Sul junto à costa brasileira. Depois de quatro anos vomitando nuvens e umidade, sua violenta instabilidade induziu a formação de vagalhões com 60 metros de altura em todo leste gaúcho. Com extrema força de vontade, atingiu um de seus orgasmos mais implacáveis. O mundo volátil de Carla vaporizou para sempre. Conforme todas as projeções numéricas ela voltou escorrendo pelo papel de parede da cozinha num fluxo eterno sem início. Nas duas primeiras vezes em que Carla comeu carne de panela estranhou peremptoriamente o aspecto, a textura, a cor e o sabor. Na fase final de sua evolução Carla será um ciclone puramente extratropical (com aquela estrutura central fria, mas bojuda e robusta).