TADEU (2008)
“É um lugar e não um tempo”, Tadeu lembra. Eu lembro, ele diz. Eu compreendo o que significa lembrar, não sei? Se eu souber, então ele saberá. É algo e é também alguma coisa que existe em mais de duas consciências - simultaneamente. Na mente do autor, que escreve sobre mim e na minha própria mente, de personagem criado. Quando eu digo que lembro quero dizer que sim, que lembro. Refiro-me àquela narrativa nebulosa mais ou menos fácil que se desenrola dentro de nossas cabeças sempre que fechamos os olhos. Lembramos da palavra “lembro”. Este sou eu lembrando, não o outro. Não o autor. Ele nem poderia, seria eu vestido na pele dele. Seria um simulacro de mim executado pelo outro, transcendental. Mesmo que eu descreva a partir de minha pelagem mais obscura podemos resumir o conflito do autor em pelo menos duas partes (ou etapas): eu e ele sendo que eu existo nele na medida em que ele não necessariamente existe em mim.