IRENE (2012)


Irene mora debaixo dos paralelepípedos. Espia o céu por entre grãos de argamassa. Irene é um luto que não finda. Porém, deitada de costas, ela mói com os dentes pedaços das costelas de seus pais. Não é um ato libidinoso. Nem ofensivo. Nesse caso é um momento de degelo. Uma paralisação perigosa. Irene move suas longas pernas possantes para baixo do tapete. Ela possui tantas pernas quanto somos capazes de diferenciar e contar. Sem sua garra esquerda sabemos muito pouco sobre ela, a não ser que esteve auxiliando os novos rumos da produção de conteúdo tecnológico. Por cima de sua cabeça fluem lágrimas sem dono. Esse rodopiar é neutro. Parece um sopro longo. Quente.