FRAN (2019)


Fran estabeleceu que sua vida não era mais aquilo que achava que era. Ela sentiu no breu da Lua sua natureza mística ser retorcida em forma de dupla hélice. Não que isso fosse algo a ser retribuído. Só não conseguia mais ser aquela pessoa. De antes. Descobriu que possivelmente nunca mais conseguiria se defrontar consigo mesma. Acontece que Babayaga, uma das genitoras de Fran no universo oculto, já dizia: “deita na banheira de chumbo”. Sem isso, não haveria o “todo mundo”, nem oceanos profundos com Kamagirus, a serpente marinha, o dragão com plumas e os cardumes de sardinha. “Deita e morre”. São esses modos de existir que tornam a vida surpeendente. Estamos acendendo ou apagando as luzes? Muito misterioso, suspeito, inexplicável, enigmático, obscuro, escuso, dúbio, duvidoso, suspeitoso, questionável, inquietante e suspicaz. Como esse enredo insalubre permite a Fran criar novos tipos de engodos e estratagemas anarquizados?