BINAURAL (2018)


Wellyngton acorda no tatame. O ar no quarto está rarefeito. Empobrecido. Diferentes Partículas flutuam. Sonhos vívidos. Ele apanha um cigarro enquanto o MP-hologram de Susumo Yokota mantém o ritmo da música lenta e constante. Welly consegue perceber minúsculos pulsos elétricos de seus neurônios dançando no espaço. Aos poucos sente alterações na própria atividade de suas células nervosas. Vários de seus subconjuntos celulares foram afetados pelo vírus que cria barreiras entre as memórias. A mulher rasga a meia e continua com o pé nu. Enfia o pé dentro da boca de Welly. Esse não era o combinado. Mesmo assim ele relaxa e permite. Pernas enormes, negras e invasivas. A música vem em ondas beta com batidas binaurais de 14 Hz. A frequência respiratória de ambos chega a 35 mrm. Depois, cai quase a zero.