COM TRUISE (2009)


LOUcura INcurável (Louin) nunca existiu - ela diz - Nem ele nem vários outros piXadores telepatas como ele. Mesmo assim, fico surpreso quando reconheço ‘pessoas’ do passado promovendo escândalos no trem. Louin, iniciou o surto escolhendo uma pessoa qualquer, nesse caso, uma mulher, já na plataforma de embarque e desembarque dos grandes veículos transmetropolitanos. A menina estava comendo um risoles de frango, de pé. Tentava comer e segurar a lata de coca-cola e não dizia nem-que-sim-nem-que-não enquanto ele falava sem parar toda uma galáxia de significados esotéricos sobre existir e morrer e transmigrar. Quando o trem chegou ele continuou falando e seguindo a mulher. Estava dominado por algum tipo de força sobrenatural. À medida que o trem avançava as coisas pioraram. Ela ficou de costas para ele voluntariamente, mas não adiantou, era impossível evitar a imposição do jorro sincrético que saía da boca do homem. ‘Do que quer que sejam feitas nossas almas, a sua e a minha são iguais’. Era isso alternado com: ‘No sonho da noite sou perseguido por cães de Satã'. Seis minutos e sessenta e seis segundos depois, um circuito dentro da sua cabeça do homem entra em combustão e ele começa a gritar descontroladamente. Explicou da forma que deu, para todos no vagão, sobre seu plano de destruir as milhões de estátuas e imagens religiosas do mundo. Loucura Incurável era como uma versão do Com Truise do mundo invertido. Era como se uma horda de borderliners impacientes à beira de um burnout tivesse remontado seu rosto. Ele era um cara alto. Parecia forte. Difícil de conter caso seu dique neuronal rompesse. Enquanto falava seus olhos jamais descansavam. Era como se estivessem sendo controlados por alguma entidade não linear e zombeteira. Dava a impressão de que o homem estava descascando a realidade usando apenas um olho e um canivete suiço.