CATACLISMA (2012)


- Reconhecer que o conhecimento é conciso e transparente envolve diferentes níveis de violência.

- Não consigo de modo algum protestar contra isso. Me escapa.

- Depois é agora enquanto momento impune.

- Eu poderia ter começado diferente. Mais cuidadoso e de maneira mais tangencial. Eu poderia ter começado um pensamento que extrapolasse e despistasse a tendência.

- Que modificasse a crista da norma?

- Vamos tentar desacelerar revertendo o processo de dissolução. Vamos revisar o que foi visto até aqui. 

- Tudo bem, podemos estar assustados. Estamos. Há anos.

- Digamos que o céu exista. Digamos que dizer que o céu exista é o nosso ponto de partida e que se o céu existir estaremos na borda de um possível cataclisma físico. 

- Um evento colossal?

- Nos últimos 20 anos todos foram. 

- É a especificidade que conta. É o afunilamento do conhecimento o principal teor de sua ruína. São dias de perseguição.

- Afirmar a ruína significa paralelizar uma noção de queda presente dentro da perspectiva de fracasso. Essa é uma tática diversionista extraída diretamente do manual de dramaturgia brasileira.

- Dizer ruína quer dizer que as estruturas estão corroídas pelo discurso. Quer dizer que a acidez corrosiva é fruto de estudos e de pesquisas. Você sabe.

- O modo da fala mobiliza a verificabilidade da hipótese sobre alguém que desaparece enquanto respira?

- Isso é o que você diz.

- Isso é assim. Mas os ativistas e atores não gostam e não concordam.

- Ninguém é perfeito.