Workstation, 2012
Instalação com madeira, mobiliário, luminária, papel de telex e objetos encontrados. Dimensões variáveis
Exposição Abismo Branco, Casa das Artes Villa Mimosa, Canoas/RS
Workstation (2012) nasce como um pastiche e uma reconstrução deslocada da mesa de trabalho utilizada pelo artista em seu antigo ateliê. A instalação toma como referência uma situação que realmente existiu, a mesa como lugar de desenho, leitura, acumulação, planejamento e produção, mas não procura reproduzi-la literalmente. Sua aparência é reconstruída a partir de materiais encontrados na rua: pedaços de madeira, banquinho, luminária, rolos de papel de telex e outros objetos descartados, posteriormente reorganizados, adaptados e, em alguns casos, pintados de branco.
A obra funciona, assim, como um mockup físico de um espaço real, realizado com restos de outras histórias. O mobiliário reconhecível produz uma sensação de familiaridade, mas essa familiaridade é instável: cada elemento possui uma origem anterior desconhecida e foi retirado de outro contexto antes de integrar a instalação. O espaço de trabalho do artista é reconstituído por meio de fragmentos que não lhe pertenciam originalmente.
Apresentada no contexto da exposição Abismo Branco (2012), a instalação aproxima-se da lógica arqueológica que atravessa a exposição: objetos, resíduos, imagens e materiais são tratados como vestígios capazes de carregar memórias incompletas. A ideia da exposição era operar em cima de um tipo de “museu pessoal”, e dessa maneira, Workstation radicaliza essa operação ao reconstruir um lugar íntimo e biográfico por meio de coisas encontradas, fazendo coincidir memória, apropriação, acaso e encenação.